TEMAS DE REFLEXÃO PARA O PLANO NACIONAL DE SAÚDE 2011 - 2016

O contributo da ADVITA para o Plano de Saúde 2011-2016

•Financiamento e sustentabilidade financeira
•Articulação entre os prestadores de cuidados primários, agudos, continuados e paliativos,públicos, privados e sociais
•Reconhecimento e DIGNIFICAÇÃO do papel do CUIDADOR e das Famílias
•Prevenção e controlo de infecção em ambiente hospitalar,residencial ou mesmo domiciliário (patient safety)
•Educação para a saúde e a divulgação de hábitos de vida saudáveis

O Plano de Saúde para o período 2011-2016, como documento guia das grandes linhas orientadoras em Saúde para as instituições públicas, privadas e sociais, deve dar especial ênfase e prioridade a temas transversais da Saúde que estão claramente identificados em Portugal, nos restantes países da Europa e na generalidade dos países desenvolvidos.
Neste contexto,salientamos os seguintes temas:
•Financiamento da prestação de cuidados de saúde: em Portugal, tal como nos outros países, o financiamento dos sistemas de saúde seja a nível do Estado, seja a nível das empresas seguradoras, constitui uma área de muito estudo e em grande desenvolvimento. O peso elevado que as despesas com a Saúde têm vindo a ocorrer – pressionando os orçamentos dos Estados, na componente de financiamento pública e das Empresas Seguradoras na componente de empresas de seguro privadas – desenvolveram um movimento cada vez mais intenso de prestação de melhores cuidados de saúde a menores custos, com um sistema de supervisão e exigências acrescidas na Qualidade dos serviços prestados. A evolução tecnológica e aparecimento de novos medicamentos cada vez mais eficazes e também substancialmente mais dispendiosos são outra das tendências inevitáveis que pressionam as organizações. Os sistemas de saúde públicos privados e sociais estão e vão continuar no período 2011-2016 a defrontar-se com este problema e a evoluir adaptando-se às novas realidades.

•Sustentabilidade financeira: os princípios de economia social europeia, ao longo dos últimos 50 anos têm vindo a assegurar a todos os cidadãos melhor acesso e melhor qualidade na prestação de cuidados. No entanto, por força da situação económica que se atravessa, com recursos são cada vez mais escassos, não se deve comprometer o acesso à Saúde das gerações futuras ou contribuir para a falência das entidades pagadoras sejam elas públicas, privadas ou sociais. O que vai também contribuir para o repensar a organização de cuidados de saúde, não só ao nível do financiamento como também ao nível da prestação de cuidados por instituições públicas privadas ou sociais.Neste campo deve ser reconhecida como prioritária uma excelente articulação entre os prestadores de cuidados primários, de cuidados agudos e de cuidados continuados e paliativos, públicos, privados e sociais, por diferentes factores que enumeramos:
1.pelos efeitos positivos que a mesma pode significar no melhor e mais eficiente atendimento do doente, assegurando uma abordagem holística e assegurando a deslocação de unidade para unidade de forma a toda a informação necessária poder circular facilmente entre os profissionais de saúde que prestam serviço nas diferentes organizações
2.pelos efeitos positivos no funcionamento de todas as organizações prestadoras de cuidados (evitando repetição de exames e de meios auxiliares de diagnóstico, de número de consultas, de redução de prazos para o atendimento de doentes em situação grave, de redução de afluência às urgências);
3.em termos financeiros, nomeadamente evitando repetição de exames e de meios auxiliares de diagnóstico, de número de consultas, de redução de prazos para o atendimento de doentes em situação grave, e redução de afluência às urgências;
 
•Reconhecimento e DIGNIFICAÇÃO do papel do Cuidador e das Famílias: O Envelhecimento das populações, com o aumento previsto da esperança de vida e o consequente aumento de doentes crónicos, com demências e níveis de dependência cada vez mais elevados. Como se vai organizar a resposta a esta situação que contribui sem dúvida para sobrecarregar os custos da prestação de cuidados? Todos os países se defrontam com as consequências da evolução demográfica e está a emergir também por todo o lado o reconhecimento e a dignificação do papel do Cuidador e das Famílias que, no domicílio, na residência ou no centro de dia, acompanha e possibilita às pessoas doentes, dependentes ou dementes, uma sobrevivência digna. São pessoas que, pelas circunstâncias da vida se viram de uma forma ou outra defrontados com uma função para a qual não estão normalmente preparadas e que se deparam todos os dias – a par com uma enorme solidão e isolamento – com grandes dificuldades na sua actividade de apoio diário. Defrontam-se com grandes dificuldades em obter informação que as ajude a desenvolver as sua acção de forma positiva para a pessoa que cuidam e incorrem eles próprios em situações de depressão ou de doenças decorrentes do foro psicossomático ou de um esforço físico desadaptado às suas forças e muitas vezes efectuado de forma incorrecta por falta de conhecimentos.
 

•Segurança dos doentes e da prevenção e controlo de infecção em ambiente hospitalar, residencial ou mesmo domiciliário (patient safety) é uma área de intervenção absolutamente essencial. Nesta área deverão ser identificadas e valorizadas em promover uma melhoria de uma comunicação eficaz entre colaboradores e com os doentes e familiares, uma correcta identificação do doente com vista a evitar erros de medicamentos ou outros, um sistema seguro de distribuição e toma de medicamentos, adopção de medidas visando a prevenção de quedas dos doentes e das úlceras de pressão, e o conjunto de medidas, envolvendo todos os colaboradores numa unidade de cuidados primários, agudos, continuados, residenciais e domiciliários em matéria de prevenção e controlo de infecção.


•Educação para a saúde e a divulgação de hábitos de vida saudável visando prevenir a doença, atrasar o mais possível o aparecimento de doenças, diagnosticar mais cedo a doença . É uma área de intervenção onde é fundamental intervir desde muito cedo, nas escolas, com vista a evitar, nomeadamente o aparecimento de doenças como a diabetes, a obesidade e as doenças dentárias, a prevenir a gravidez na adolescência, a alertar e prevenir situações de abusos e maus tratos a crianças, jovens e adultos.

Texto divulgado no portal do Alto Comissariado da Saúde, em Contributos para o Plano Nacional de Saúde 2011-2016
 

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